segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ARTIGOS - comentários e questionamentos




Entre a poesia e o raio x: uma introdução à tendência pós-moderna na antropologia
Vagner Gonçalves da Silva – p.145-158


O autor destaca que sendo a antropologia uma ciência formada a partir do contato entre culturas diferentes, os problemas relacionados aos modos como os homens conhecem o mundo e a si mesmo – função máxima da cultura-, sempre ocuparam um lugar central nessa disciplina. Mas foi sobretudo com o surgimento da antropologia interpretativa, a partir dos anos de 1970, na qual o conceito semiótico de cultura ganhou densidade, que certas questões passaram a fazer parte constitutiva do trabalho etnográfico, preparando, inclusive, o terreno para o desenvolvimento das críticas dos pós-modernos.
Fora dos muros da academia, os contextos social e político da segunda metade do século XX também desempenharam papel importante no processo de surgimento da antropologia pós-moderna. As revoltas estudantis, a luta pelos direitos civis ou pelo direito as diferenças, pelo controle da força militar entre nações, a contracultura, enfim inúmeros movimentos sociais provocaram profundo questionamentos sobre os modos pelos quais grupos, sociedades e estados se relacionavam, seja nos macroespaços do cenário mundial, seja nas microrelações locais.

1) E nós alunos, professores do século XXI, como estamos reagindo ao “poder”, as diferenças? Muitos de nós nascemos no momento das revoltas estudantis e crescemos em plena didatura militar, ouvindo que tudo era proibido... Questionar em sala de aula... jamais... os bons alunos eram aqueles que faziam/repetiam tudo o que o professor ensinava. Alunos “indisciplinados” eram punidos. Atualmente incentivamos nossos alunos a serem críticos? A lutarem pelos seus direitos? A serem autônomos? A respeitarem o outro? Como estamos trabalhando com as diversidades em sala de aula?

Segundo o autor há um paradoxo inerente à prática etnográfica quando se pede ao antropólogo que utilize os recursos disponíveis de sua sensibilidade para introjetar em si mesmo os significados da cultura que investiga, e por, outro lado, em nome da objetividade e das formas legítimas de representação acadêmica, pede-se que esta experiência seja colocada sobre padrões que em geral deixam de lado importantes dimensões desses significados. Mesmo que os antropólogos estejam conscientes de que os fatos não falam por si mesmos, as etnografias pretendem que os documentos apresentados, as descrições, possam ser referidos como “fatos brutos”, não contaminados pelo uso interpretativo que se quer fazer deles. Como se a própria descrição, ou os elementos com os quais a compomos, já não fosse em si mesma uma forma de interpretação da realidade.
Pensando na educação... estou chegando a conclusão que o professor além de educador precisa ser um pouco antropólogo, pois não podemos ignorar as culturas de nossos alunos. E sendo antropólogo o professor deve utilizar a etnografia, descrevendo... documentando os acontecimentos de ensino-aprendizagem na sala de aula.

2) Os cursos de formação de professores estão preocupados com a diversidade de culturas nas salas de aula? Atualmente encontramos a disciplina de Etnomatemática nos cursos de licenciatura?

Encerro esse comentário com as palavras do autor:
“ Todo texto etnográfico é resultado não apenas de um processo de observação, mas sustenta-se por meio de alianças, explicitas ou não, que se estabelecem entre o pesquisador e o grupo, as quais possibilitam a real aproximação entre ambos”.

3) E não é dessa aproximação – professor(pesquisador) e alunos (grupo) – que a educação está precisando?



REVISITANDO O PÓS-MODERNO
- Eduardo F. Coutinho –
O Pós-modernismo – p. 159-172

Segundo o autor, qualquer que tenha sido o inicio da modernidade, fato é que o termo abrange um período multissecular, marcado por estilos tão diversos quanto, por vezes, até antagônicos, e que talvez encontra o seu ponto culminante com o apogeu da civilização burguesa no século XIX e a construção das grandes utopias que dominaram o homem da primeira metade do século XX, acompanhada por avanços técnico-científicos e pela corrida para a industrialização.
Nessa sociedade de consumo do capitalismo, a mercadoria passa a reger todos os aspectos da cultura: a representação, o conhecimento e a informação tornam-se mercadorias, a propaganda se torna um sinal dos tempos e o universo artístico transforma-se num mercado.

4) Quando lemos que o conhecimento torna-se mercadoria, vem a mente as escolas particulares com suas propagandas e preços cada vez mais elevado. Como inverter essa situação? Pois na década de 70/80 as escolas públicas eram as melhores e só estudava nas escolas particulares quem queria ser aprovado.

Na América Latina, o debate sobre o pós-modernismo chegou nos anos de 1980, trazendo a tona a indagação sobre a possibilidade de se considerar a produção surgida no continente na segunda metade do século XX como pós-moderna e dividindo a critica em duas posições extremas. Portanto de um lado situam-se os críticos que, baseados em teóricos euro-norte-americanos que consideram Borges ou Garcia como pontos de referência do movimento, vêem a América Latina inclusive como uma espécie de berço do pós-modernismo, e de outro aqueles que, denunciando o conceito como alienígena, como mais uma importação do meio acadêmico primeiro-mundista, e vendo naqueles que o empregam uma postura etnocêntrica, rejeitam o uso do termo com relação à literatura e as artes latino-americanas.
O modernismo brasileiro e seus equivalentes hispano-americanos apresentaram uma feição própria, que os distinguiu do movimento anglo-americano, sendo essa feição resultante das circunstâncias histórico-culturais em que eles emergiram e frutificaram. Num contexto neocolonizado, de forte dependência econômica, com diferenças sociais acentuadas e dose elevada de miséria, a revolta contra a cultura oficial, comum a grande maioria da produção estético-literária ocidental da primeira metade do século XX, não pode deixar de fazer-se acompanhar de um processo antropofágico de assimilação seletiva, no qual se expurgava a tradição autoritária, de teor colonialista e centralizador, mas se valorizava a tradição popular em suas faces múltiplas e regionais.
5) O que vemos em destaque atualmente a tradição autoritária ou a tradição popular?


Prácticas espaciales:El trabajo de campo, El viaje y La disciplina de La antropologia - Clifford – Itinerários transculturales –p.71-120

Segundo Clifford, o trabalho de campo representou algo específico dentro dos métodos sociológicos e etnográficos que muitas vezes se sobrepõe: uma reunião de investigação particularmente profundo, amplo e interativo. Isto, naturalmente, é o ideal. Na prática, o critério de “profundidade” no trabalho de campo têm variado, assim como ambas as experiências reais de investigação.
6) Atualmente como tem acontecido o trabalho de campo antropológico?
Segundo o autor, o trabalho de equipe e a investigação a longo prazo são praticados de diversas maneiras em diferentes localizações. Em todos os casos, o trabalho de campo antropológico está exigindo algo a mais do que passar pelo lugar. É preciso algo mais do que realizar entrevista e escrever periódicos. É preciso ampliar as atividades, em forma de colaboração, investigação e interação.
O autor afirma também que todo conhecimento é interdisciplinar. Por isso as disciplinas se definem e redefinem interativamente e competitivamente.
Mais uma vez destaco que o professor precisa atuar como os antropólogos, pois se o conhecimento é interdisciplinar a escola é o local ideal para se trabalhar com a interdisciplinaridade.
7) Como podemos obter colaboração, investigação e interação dentro da escola? Como podemos iniciar nosso trabalho de antropologia dentro da sala de aula?

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