
Etnografia, Etnologia e Antropologia
Segundo Balandier(1977) os três termos são muitas vezes empregados em convergente sentido quando na verdade se trata de campos bem diferenciados.
De acordo com o dicionário da língua portuguesa (Academia Brasileira de Letra, 2008):
Segundo Balandier(1977) os três termos são muitas vezes empregados em convergente sentido quando na verdade se trata de campos bem diferenciados.
De acordo com o dicionário da língua portuguesa (Academia Brasileira de Letra, 2008):
Etnografia – Estudo e registro descritivo de uma cultura ou de um aspecto cultural de uma etnia.
Etnologia – Estudo comparativo de várias culturas a partir de dados apresentados pela etnografia. Estudos das culturas indígenas.
Antropologia – Ciência que estuda o ser humano em seus aspectos biológicos e sociais.
Balandier(1977) destaca que o meio de expressão da etnografia é, por excelência, a monografia, juntando e classificando os materiais recolhidos. Procurando constituir uma coleção de tipos sociais e culturas, tal como a história natural inventaria, exaustivamente as espécies vegetais e animais. Neste sentido, o museu etnográfico representa um prolongamento indispensável às investigações realizadas. O autor destaca ainda que a etnografia corresponde a uma primeira e necessária fase: os mestres, apesar da diversidade dos seus interesses e de suas opiniões teóricas, impõem aos investigadores principiantes a obrigação de trabalharem no próprio terreno e descreverem o grupo e a cultura abordados.
Já a etnologia constitui uma segunda etapa, sem excluir a observação direta, tende para a síntese e não pode contentar-se unicamente com os materiais recolhidos em primeira mão. Esta síntese, segundo Strauss, (apud Balandier,1977,p. 148), pode operar-se em três direções: geográficas, se quer integrar conhecimentos relativos a grupos vizinhos; histórica, se tem o objetivo de reconstituir o passado de uma ou mais populações; sistemática, finalmente, se isola, para lhe consagrar particular atenção, um tipo de técnica, de costume ou de instituição. As preocupações histórico-geográficas são, em geral, predominantes nos limites desta disciplina: dizem respeito às origens, aos centros e às vias de difusão.
A antropologia é uma ciência social surgida no século XVIII. Porém, foi somente no século XIX que se organizou como disciplina científica. A palavra tem o seguinte significado: antropo = homem e logia = estudo. Esta ciência estuda, principalmente, os costumes, crenças, hábitos e aspectos físicos dos diferentes povos que habitaram e habitam o planeta. Portanto, os antropólogos estudam a diversidade cultural dos povos. A estrutura física e a evolução da espécie humana também fazem parte dos temas analisados pela antropologia. Os antropólogos utilizam, como fontes de pesquisa, os livros, imagens, objetos, depoimentos entre outras.Porém, as observações, através da vivência entre os povos ou comunidades estudadas, são comuns e fornecem muitas informações úteis ao antropólogo.
Segundo Strauss, (apud Balandier,1977,p. 150) a antropologia tem por objetivo um conhecimento global do homem, abarcando o que lhe diz respeito em toda a sua extensão histórica e geográfica, aspirando um conhecimento aplicável ao conjunto do desenvolvimento humano desde os homens primatas até as raças modernas e tendendo a conclusões positivas ou negativas, mas validas para todas as sociedades humanas, desde a grande cidade moderna, a te a mais pequena tribo.
Segundo Balandier (1977) a antropologia, partindo do reconhecimento da diversidade das sociedades humanas, dos grupos e das culturas tem em vista um nível de generalidade onde todas as diferenças são abolidas sem terem sido explicadas previamente. Da mesma forma, depois de ter manifestado particular sensibilidade à evolução das sociedades e das culturas e de ter concedido, privilégio aos trabalhos de tipo histórico, procura expulsar a história, os conceitos de evolução e de revolução do campo das suas preocupações. Ambiciona cedo demais alcançar a base sobre a qual se supõe assentarem todos os edifícios sociais.
Peirano (1995) reflete sobre a história da antropologia, lembrando que a história não é apenas o passado perdido, mas inspiração para solucionar problemas presentes, porque estes já foram enfrentados antes e nem todas as soluções devidamente aproveitadas. Neste contexto, a autora retoma a questão da prática etnográfica em relação ao ensino da antropologia. Destacando que a obra de um antropólogo não se desenvolve, portanto, linearmente; ela revela nuanças etnográfico-teóricas que resultam não apenas do tipo de escrita que sempre foi energizada pela experiência do campo, mas também do momento específico da carreira de um pesquisador em determinado contexto histórico e a partir de peculiaridades biográficas.
Peirano (1995) afirma que nem todo bom antropólogo é necessariamente um etnógrafo. Há aqueles mais inclinados e os menos atraídos para a pesquisa de campo. Mas todo bom antropólogo aprende e reconhece que é na sensibilidade para o confronto ou diálogo entre teorias acadêmicas e nativas que está o potencial de riqueza da antropologia. A autora então conclui que toda boa etnografia precisa ser tão rica que possa sustentar uma reanálise dos dados iniciais e essa reanálise de um corpo etnográfico é prova da adequação e qualidade da etnografia.
Cotidiano e cultura escolar
A sala de aula é “invadida” por diferentes grupos sociais e culturais.
Pérez Gómez (2001) propõe que entendamos hoje a escola como um espaço de “cruzamento de culturas”. Tal perspectiva exige que desenvolvamos um novo olhar, uma nova postura, e que sejamos capazes de identificar as diferentes culturas que se entrelaçam no universo escolar.
Atualmente, uma realidade da Educação Matemática em muitas escolas é o êxito de poucos e o fracasso de muitos. Em função disso, há um contingente de alunos reprovados ou excluídos em decorrência de seu fraco desempenho nesta disciplina. Como afirma D´Ambrósio (1999,p.68), “prevalece a concepção equivocada de que o ensino de uma disciplina deve estar subordinado a uma lógica interna da própria disciplina. Isso tem sido particularmente desastroso no caso da matemática.”
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